quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Poemas sobre a classe operária: Quando os Trabalhadores Perderem a Paciência


Quando os trabalhadores perderem a paciência
Mauro Iasi 


As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juízes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obsolescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
“declaro vaga a presidência”!



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Quando os Trabalhadores Perderem a Paciência, poema de Mauro Iasi, fala de maneira alegórica sobre a emancipação da humanidade. Digamos que a "perda de paciência" dos trabalhadores não significa uma raiva estúpida e sem foco, e sim indica a perda da passividade, a tomada de consciência de classe e o início do processo revolucionário que tem o poder de construir outro mundo, que supere as contradições do atual. Este outro mundo descrito em versos que inspiram nossa humanidade (hoje enferma), assim como na canção Imagine, de John Lennon, pode ser chamado de sociedade comunista, sociedade emancipada ou sociedade do ser omnilateral. Um outro mundo é possível, mas não é inevitável. Há uma condição fundamental para que isso ocorra no nosso horizonte e ela passa pela postura da classe operária e o conjunto dos trabalhadores. (P.A.).
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