sexta-feira, 3 de março de 2017

Poemas sobre a classe operária: Amor de Índio II


Amor de índio II
Paulo Ayres

Nhamandú não é estático e imutável
é inevitável a processualidade
a idade chega para todos nós.
Os prós e os contras se ligam
e a liga da massa é profanada
por cada assalariamento.
Só lamento pelo padeiro
Isolamento compartilhado.

Este céu azul é simpático e amável,
mas hoje o céu está fechado.
Compartilhado o isolamento,
só lamento pela profanação
do fruto do nosso trabalho.
Este orvalho até refresca,
mas falta a pesca à tarde
o pastoreio no anoitecer
e a crítica antes de dormir.
Para a gente se redimir
de caçar um ao outro
toda a manhã produtiva.

Está difícil diferenciar
a abelha e o pedreiro.
É a agrura do agronegócio,
é a posse do amor de individualista
que passa por cima do amor de índio.

Só lamento por nós, meu amor
se conhecer no interior
e se estranhar na capital
e no capital.
= = = 

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