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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Poemas sobre a classe operária: Caroço Racional


Caroço racional
Paulo Ayres

Me perdi ontem numa plantação de abacate
Cate tudo, cate todos, tudo na caixa
Abaixa o meu preço
Processo sem fim
Contradição

Perdi a identidade de ontem para hoje
Diferença de forma e tamanho
O que ganho o que eu perco
Virarei esterco ou erva
Coruja de Minerva

Virarei esteira ou estorvo
Fábrica conserva
Tudo passa
Menos eu
= = =

terça-feira, 17 de outubro de 2017

sábado, 15 de julho de 2017

Poemas sobre a classe operária: Os Donos da Situação


Os donos da situação
Paulo Ayres

Cornelius Vanderbilt
só usa palitos-de-dente importados
as costelas de crianças subnutridas.
Crânios lado a lado

Henry Ford
estupra cada um dos acorrentados
na esteira não passa preservativos.
Sempre é negativo o saldo

Bill Gates
tortura com enxaqueca os hospitalizados
este sinal de wi-fi concentra e centraliza.
Uma vela para o mercado

Mas, olha só que encantador!
Não há dor, não há exploração
Rockefeller, Eike, Murdock e Saad entram na dança
Doando um cheque para o Criança Esperança
No baile da cafonice ou no casamento dos barros
Chuva de ovos, em vez do arroz

Um personagem em vários tronos

Trocas voluntárias, mordaças operárias
Mordaças operárias, trocas voluntárias

Um personagem em vários tronos

Donos da situação, cães sem dono
Cães sem dono, donos da situação

Os donos da situação
são donos dos meios
e inteiramente dependentes
destas mãos, destas calejadas mãos

Inúmeras mãos de um só agente produtor
= = =

domingo, 23 de abril de 2017

Poemas sobre a classe operária: Fordlândia


Fordlândia
Paulo Ayres

Lá no Bar do Canhão,
o clássico do sertanejo pop no aparelho de som
o country pop num novo single ditando o tom
o mesmo arranjo industrial

Lá na cidade fantasma,
a linda e desamparada jovem viúva do Oeste
a cafetina sem donzelice de Santana do Agreste
não são muito diferentes.

Lá na beira do Rio Tapajós,
os limpadores de para-brisa não dão em seringueiras
o calor amazônico enferrujou as exploratórias esteiras
bater em retirada.

Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não falha.

Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não faliu
apenas mudou de lugar.

O que sempre quebra é o teto proletário.
= = =