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quarta-feira, 29 de maio de 2019
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DCCIII
Haikai proletário DCCIII
Paulo Ayres
De cada duzentas torneiras
Abertas são vinte e sete
Corro na esteira
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domingo, 28 de abril de 2019
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DCLXXIX
Haikai proletário DCLXXIX
Paulo Ayres
Meus dedos são repetitivos
Eu pego, giro e aperto
Mortos, mas vivos
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segunda-feira, 4 de março de 2019
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DCXXXV
Haikai Proletário DCXXXV
Paulo Ayres
Mais rápido que o instante
Corpo frágil de operário
Em ritmo alucinante
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sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DLXVI
Haikai proletário DLXVI
Paulo Ayres
Como é triste meu trabalho
A esteira é movimento
Vida sem atalho
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Paulo Ayres
Como é triste meu trabalho
A esteira é movimento
Vida sem atalho
= = =
domingo, 13 de maio de 2018
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DII
Haikai proletário DII
Paulo Ayres
Trabalha, espera e confia
Esteira é uma dádiva
Deixe a mais-valia
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CDXXXVIII
Haikai proletário CDXXXVIII
Paulo Ayres
De que vale essa jornada?
Só a esteira caminha
E mãos calejadas
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Poemas sobre a classe operária: Caroço Racional
Caroço racional
Paulo Ayres
Me perdi ontem numa plantação de abacate
Cate tudo, cate todos, tudo na caixa
Abaixa o meu preço
Processo sem fim
Contradição
Perdi a identidade de ontem para hoje
Diferença de forma e tamanho
O que ganho o que eu perco
Virarei esterco ou erva
Coruja de Minerva
Virarei esteira ou estorvo
Fábrica conserva
Tudo passa
Menos eu
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CCCXCV
Haikai proletário CCCXCV
Paulo Ayres
Tu só pode estar brincando
Eu fabrico uma diversão
Ação sem comando
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terça-feira, 17 de outubro de 2017
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CCCLI
Haikai proletário CCCLI
Paulo Ayres
Corro sem sair do lugar
No regime de esteira
Fordismo a suar
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sábado, 15 de julho de 2017
Poemas sobre a classe operária: Os Donos da Situação
Os donos da situação
Paulo Ayres
Cornelius Vanderbilt
só usa palitos-de-dente importados
as costelas de crianças subnutridas.
Crânios lado a lado
Henry Ford
estupra cada um dos acorrentados
na esteira não passa preservativos.
Sempre é negativo o saldo
Bill Gates
tortura com enxaqueca os hospitalizados
este sinal de wi-fi concentra e centraliza.
Uma vela para o mercado
Mas, olha só que encantador!
Não há dor, não há exploração
Rockefeller, Eike, Murdock e Saad entram na dança
Doando um cheque para o Criança Esperança
No baile da cafonice ou no casamento dos barros
Chuva de ovos, em vez do arroz
Um personagem em vários tronos
Trocas voluntárias, mordaças operárias
Mordaças operárias, trocas voluntárias
Um personagem em vários tronos
Donos da situação, cães sem dono
Cães sem dono, donos da situação
Os donos da situação
são donos dos meios
e inteiramente dependentes
destas mãos, destas calejadas mãos
Inúmeras mãos de um só agente produtor
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domingo, 23 de abril de 2017
Poemas sobre a classe operária: Fordlândia
Fordlândia
Paulo Ayres
Lá no Bar do Canhão,
o clássico do sertanejo pop no aparelho de som
o country pop num novo single ditando o tom
o mesmo arranjo industrial
Lá na cidade fantasma,
a linda e desamparada jovem viúva do Oestea cafetina sem donzelice de Santana do Agreste
não são muito diferentes.
Lá na beira do Rio Tapajós,
os limpadores de para-brisa não dão em seringueiras
o calor amazônico enferrujou as exploratórias esteiras
bater em retirada.
Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não falha.
Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não faliu
apenas mudou de lugar.
O que sempre quebra é o teto proletário.
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