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segunda-feira, 2 de março de 2020

Café Nespresso da Nestlé: operariado com trabalho infantil

 
por Marques Casara

Café “Nespresso”, da Nestlé, explora trabalho infantil

Muita gente que bebe café conhece a expressão “tomar um Nespresso”. É a marca premium de café expresso da Nestlé, vendida em mais de 60 países. A Nespresso representa a maior operação de café em capsulas do mundo, com um faturamento anual de US$ 5 bilhões, ou seja, mais de R$ 22 bilhões.

É muito dinheiro, mesmo para atividades industriais. Infelizmente, a produção do Nespresso viola direitos humanos. Na última semana de fevereiro, surgiu a informação de que a marca tem trabalho infantil em sua cadeia produtiva.

Uma investigação jornalística conduzida pelo Channel 4, do Reino Unido, identificou crianças e adolescentes trabalhando nas lavouras que fornecem café para a fabricação do Nespresso.

O caso ocorreu na Guatemala, um importante fornecedor da Nespresso e de outras grandes marcas, como a Starbucks, que também tem problemas ligados ao trabalho infantil.

Não é a primeira vez que essas empresas aparecem relacionadas a crimes desse tipo. Um caso recente aconteceu no Brasil. Em 2018, seis empresas foram denunciadas junto à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na época, foram denunciadas por explorar trabalho escravo em lavouras de café no Brasil. São elas: Nestlé, Jacobs Douwe Egberts, McDonald’s, Dunkin’ Donuts, Starbucks e Illy. Os autores da denúncia foram a Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere-MG) e a Conectas Direitos humanos.

Cacau

No caso da Nestlé, o que ocorre é que a empresa tem problemas para monitorar a cadeia produtiva de importantes commodities vinculadas às suas marcas. Por conta disso, não consegue alcançar transparência em relação aos fornecedores, pois não informa de onde compra café, cacau e outros alimentos usados em larga escala.

Em relação ao cacau, a Nestlé fez pior. Sequer se manifestou. Simplesmente ignorou a denúncia de que existem, atualmente, oito mil crianças e adolescentes trabalhando em fazendas de cacau no interior do Brasil. Na Bahia e no Pará, em atividades insalubres e perigosas, crianças e adolescentes perdem a infância, o futuro e a vida em lavouras que fornecem cacau para Nestlé, Garoto, Mondelez e outras grandes marcas de chocolate.

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[0] Editado.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Um governo que semeia a morte dos trabalhadores



Depois de tentar colocar em dúvida mais um assassinato cometido contra indígenas que lutam por seu direito de viver com dignidade e de acordo com sua cultura na terra em que habitam, depois de comemorar o assassinato de um jovem trabalhador morto nos porões da ditadura militar, Bolsonaro anuncia a essência de seu projeto: acabar com todas as regras, leis e normas que impeçam o Capital de aumentar ainda mais a exploração e a carnificina contra a classe trabalhadora.

O presidente imbecil funcional e servil aos interesses da burguesia, tenta com suas declarações esconder a essência de seu projeto, que é combater a luta dos trabalhadores contra as consequências de uma sociedade dividida em classes. A fala de Bolsonaro na terça-feira dia 30/07, em que diz que a luta de classes é mais do que ser homo ou hetero, nordestino ou sulino, branco ou preto, tenta camuflar o que de fato é a luta de classes que escancara a existência de uma parcela muito pequena da sociedade que se farta com a riqueza produzida através da exploração e da miséria da maioria dos seres humanos.

A essência da fala de Bolsonaro está em tentar ressignificar o que é de fato a luta de classes. Com o discurso hipócrita que é muito difícil ser patrão no Brasil, o governo quer acabar de vez com qualquer norma, lei e regra que impeça os patrões de ampliar o ataque contra os trabalhadores em seus direitos e suas vidas.

Bolsonaro tenta acabar com as fiscalizações das condições de trabalho no campo e na cidade, através de grandes alterações nas Normas Regulamentadoras (NR’S) que tratam sobre segurança e saúde nos locais de trabalho. Para ele, trabalhadores rurais não têm direito nem à banheiro, se tiverem que suprir suas necessidades fisiológicas, que as façam no mato. Para ele, os trabalhadores que trabalham submetidos às duras condições de trabalho nas fábricas tendo sugada sua saúde e vida não têm do que reclamar. Para esse governo, quem tem que reclamar são os patrões, que são obrigados a pagar multas, indenizações ou entregar suas propriedades por terem submetido a dignidade dos trabalhadores aos seus interesses, por terem submetidos a saúde e vida de seres humanos à sua ganância por mais lucros.

As alterações que o governo quer fazer nas Normas Regulamentadoras que tratam sobre segurança e saúde do trabalho vão desde liberar a abertura de empresas sem fiscalização, passando pela alteração das normas de segurança em máquinas e equipamentos até o fim da punição a empresários que impõem trabalho análogo a escravidão.

Na semana em que escancarou ainda mais o ser repugnante que é, Bolsonaro, além de substituir a maioria dos membros da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e saudar a ditadura militar, afirmou que quer legalizar o garimpo e negligenciar o assassinado de indígenas. Esse governo atenta contra os direitos e vida dos trabalhadores ao tentar acabar com o pouco que resta de fiscalização dos ambientes de trabalho e, se torna mais do que cúmplice: convivente com a carnificina contra a vida dos trabalhadores provocadas pelas condições de trabalho imposta pelo Capital.
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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Novos ataques brutais à classe trabalhadora e aos pobres

 
por Intersindical

Na mesma semana da votação da reforma da Previdência em primeiro turno, deputados e senadores dão andamento à Medida Provisória 881 que tem por objetivo retirar mais direitos dos trabalhadores

A segunda semana de julho foi marcada por um ataque brutal contra a classe trabalhadora, a população mais pobre que necessita da Previdência e da Seguridade Social. Enquanto esses deputados votavam a favor do fim da aposentadoria, votavam a favor que viúvas/os recebam menos que um salário mínimo, que pessoas com necessidades especiais e idosos sem renda tenham mais dificuldades para receber o auxílio previdenciário, a corja também aprofundava os ataques da reforma trabalhista.

Fizeram isso através da Medida Provisória 881, a tal Medida Provisória chamada de “Liberdade Econômica”, que tem como argumento hipócrita favorecer o empreendedorismo das pequenas e médias empresas, mas de fato quer liberar os patrões de regras tributárias e, mais do que isso, quer passar por cima de direitos, aprofundando a reforma trabalhista.

No relatório do deputado Jêronimo Goergen (PP/RS), foram incluídos mais de 80 itens que aprofundam a reforma trabalhista dos patrões, a reforma aprovada por Temer e apoiada pela maioria dos deputados e senadores que têm contribuído para o aumento do desemprego e do arrocho salarial.

Veja alguns dos ataques que estão na MP 881:

– Se esse relatório for aprovado, os patrões estarão liberados para obrigar os trabalhadores a trabalhar nos domingos e feriados.

– A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) deixa de ser uma obrigatoriedade para diversas empresas, ou seja, é mais descaso com a saúde e a vida dos trabalhadores, num país em que, a cada 4 horas, um trabalhador morre vítima de acidente de trabalho.

– Querem passar por cima de Convenções Coletivas de Trabalho para alterar a jornada de trabalho de acordo com os interesses dos patrões. Se isso acontecer, os patrões vão ampliar o banco de horas, impor jornada intermitentes e parciais. O que significa menos salários, menos direitos e mais demissões.

– Querem ampliar o tempo dos contratos temporários. Se hoje os patrões já estão fazendo a festa com os contratos de dois anos, demitindo e contratando com salários menores, se isso passar, aí é que as demissões vão aumentar e o salário diminuir de vez.

– Desobrigam os patrões a enviar para os Sindicatos dos Trabalhadores as Guias da Previdência Social, ou seja, assim vão poder desrespeitar mais direitos dos trabalhadores.

A tal liberdade econômica defendida por Bolsonaro e sua corja que está no Congresso Nacional, com a MP 881, significa mais liberdade aos patrões para passar por cima de qualquer regra de fiscalização e principalmente exterminar direitos dos trabalhadores.

É mentira que as alterações na legislação têm por objetivo combater o desemprego, pois todas as alterações buscam facilitar que os patrões demitam, contratem sem direitos e com menores salários e continuem a demitir.

A luta contra todos esses ataques não vai se dar nos corredores podres do Planalto ou do Congresso Nacional. Somente nos locais de trabalho e nas ruas é que temos as condições de barrar esse brutal ataque aos direitos e à vida da classe trabalhadora, na construção de uma nova e maior GREVE GERAL.
 
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[0] Via PCB.
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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Na Índia, operárias rurais têm útero retirado para maior produtividade


 
por Geeta Pandey

'Aldeias das mulheres sem ventre': as milhares de indianas que removem o útero por causa de emprego

Milhares de jovens mulheres em Maharashtra, Estado ocidental da Índia, estão fazendo cirurgias para retirar os úteros. A maioria delas adotou essa solução radical para conseguirem empregos em plantações de cana de açúcar ou porque foram induzidas por médicos inescrupulosos.

Todo ano, dezenas de milhares de famílias carentes migram para uma região conhecida como "cinturão do açúcar" para trabalhar por seis meses na colheita da cana.

Muitas famílias acabam nas mãos de empregadores gananciosos que as exploram.

Eles resistem a contratar mulheres porque o trabalho nas plantações é pesado e, segundo eles, mulheres podem perder um ou dois dias de trabalho por causa da menstruação. Quem falta ao trabalho precisa pagar multa.

As condições de vida no local de trabalho estão longe do ideal e são particularmente complicadas para as mulheres durante a menstruação.

As famílias têm que viver em cabanas ou barracas perto das plantações, onde não há banheiros. Como a colheita às vezes é feita mesmo à noite, não há horas fixas nem para trabalhar nem para dormir.

Por causa das más condições de higiene, muitas mulheres contraem infecções. Segundo ativistas que trabalham na região, médicos inescrupulosos as incentivam a passar por cirurgias desnecessárias, mesmo quando apresentam um pequeno problema ginecológico que poderia ser tratado com remédios.

Aldeias de mulheres sem ventre

Como a maioria das mulheres nessas áreas é casada e jovem, muitas têm de duas a três crianças antes mesmo de completar 30 anos. Como os médicos não falam abertamente sobre problemas e dificuldades da histerectomia, muitas mulheres acreditam não haver problema em se livrar de seus úteros.

Isso transformou várias aldeias da região em "aldeias de mulheres sem ventre", segundo a imprensa indiana.

Depois que o problema foi levantado, no mês passado, pelo deputado estadual indiano Neelam Gorhe, o secretário de saúde de Maharashtra, Eknath Shinde, admitiu que 4.605 histerectomia foram realizadas em apenas um distrito - Beed - nos últimos três anos.

Mas, segundo ele, nem todos os procedimentos foram feitos por mulheres que trabalham na colheita da cana.

Shinde disse que uma comissão foi criada para investigar vários casos.

Prajakta Dhulap, que trabalha em um dos serviços da BBC na Índia, visitou um vilarejo de Beed e diz que de outubro de 2018 a março de 2019, 80% dos moradores do local migraram para trabalhar em plantações de cana. Metade das mulheres da vila fez cirurgia para tirar o útero e a maioria tem menos de 40 anos - algumas ainda estão na casa dos 20 anos.

Muitas das mulheres com quem Dhulap conversou disseram que a saúde deteriorou desde que foram submetidas à operação.

Uma mulher relatou uma "dor persistente nas costas, pescoço e joelhos" e disse acordar com mãos, rosto e pés inchados. Outra reclamou de tontura constante e como ela tinha dificuldades de caminhar até mesmo distâncias curtas.

Ambas disseram que não estão conseguindo trabalhar nas lavouras por causa dos problemas de saúde que apareceram depois da cirurgia.

Remédios ilegais contra menstruação

A imprensa também reportou que a situação no estado Tamil Nadu, no sul do país, é igualmente terrível.

Mulheres que trabalham na bilionária indústria de vestuário alegam ter recebido medicamentos não rotulados no trabalho - em vez de um dia de folga - quando se queixaram de dores e cólicas menstruais.

A fundação Thomson Reuters entrevistou aproximadamente 100 mulheres e revelou que esses medicamentos raramente eram fornecidos por profissionais da área médica e apontou que costureiras, em sua maioria de famílias carentes, diziam que não podiam se dar ao luxo de perder o salário de um dia por causa de dores menstruais.

Todas as entrevistadas disseram que tinham recebido remédios e mais da metade delas afirmou estar, como resultado, enfrentando problemas de saúde.

Muitas delas também disseram que não lhes foi dito o nome do remédio e tampouco foi falado sobre possíveis efeitos colaterais.

Algumas atribuíram aos medicamentos problemas como depressão, ansiedade, infecção urinária, miomas e abortos espontâneos.

Reportagens sobre o que mulheres menstruadas são submetidas nos dois Estados da Índia fez com que autoridades tomassem providências.

A Comissão Nacional para Mulheres descreve a situação das mulheres em Maharashtra como "patética e miserável" e pediu ao governo estadual para prevenir "atrocidades" como essa no futuro.

Em Tamil Nadu, o governo afirmou que iria monitorar a situação das trabalhadoras da indústria têxtil.

Disparidade salarial

As notícias chegam em um momento em que estão sendo feitas tentativas em todo o mundo para aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho e reduzir a diferença salarial, implementando políticas de gênero.

Mas, na Índia, a participação da força de trabalho feminina caiu de 36% em 2005-2006 para 25,8% em 2015-2016 e não é difícil entender por que, se olharmos para as condições em que as mulheres têm que trabalhar.

Na Indonésia, Japão, Coreia do Sul e em alguns outros países, as mulheres podem tirar um dia de folga durante o período menstrual. Muitas empresas também oferecem essa possibilidade.

"Também na Índia, o governo do Estado de Bihar vem permitindo que as funcionárias tirem dois dias extras de folga todos os meses desde 1992 e parece estar funcionando muito bem", diz Urvashi Prasad, especialista em políticas públicas do governo indiano.

E, no ano passado, uma deputada apresentou um projeto de lei no Parlamento a fim de assegurar dois dias de folga por mês a todas as trabalhadoras do país.

Urvashi Prasad diz que são muitos os desafios para implementar qualquer tipo de política pública num país tão grande e diverso como a Índia, especialmente no setor informal que exige uma fiscalização muito maior.

Mas, segundo ela, se as mudanças começarem no setor formal, pode ajudar a mudar o comportamento e remover o estigma em torno da menstruação na Índia.

"Então, o que precisamos é que o poderoso setor privado organizado e o governo se posicionem, precisamos que as pessoas no topo enviem os sinais certos", diz ela. "Nós temos que começar em algum lugar e, eventualmente, podemos esperar ver alguma mudança no setor informal também."
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sábado, 18 de maio de 2019

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Poemas sobre a classe operária: Ofensiva Feroz


Ofensiva feroz
Paulo Ayres

Ofensiva feroz do capital
faço bem, colho mal.

Mal coloco o pé na faixa e o mercado acelera
já era
morro nos desmontes.

Mal lembro quem sou e a fábrica me desmonta
quimera
morro acelerado.

Além de morrer em vida
minha ferida não cicatrizará
não me aposentarei.
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sábado, 16 de março de 2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Poemas sobre a classe operária: Reboco


Reboco
Paulo Ayres

Superexploração nada superficial
Ela penetra a carne e rasga os céus
Enquanto a gente estranha o stress
Dificilmente, edifícios

Que vida é essa de erguer paredes?
Que dívida é essa de nos deixar parados?

À reboque o reboco
Argumentos de argamassa
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018