Haikai proletário XIV
Paulo Ayres
Mosquito sumiu de repente
Operários estão em vós
Escorre repelente
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segunda-feira, 5 de julho de 2021
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário XIV
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário XXXVIII
Haikai proletário XXXVIII
Paulo Ayres
Entre xampu e condicionador
As mãos não diferenciam
Líquido de labor
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sexta-feira, 14 de maio de 2021
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CXXXV
Haikai proletário CXXXV
Paulo Ayres
A tinta visível se reduz
Mãos escrevem canetas
Esfrega ou produz
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quarta-feira, 12 de maio de 2021
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Redução de direitos e salários dos petroleiros; “prêmios” à alta gerência
Num momento de negociação de ACT em que a empresa propõe reduzir salários, contraditoriamente, a direção aumenta seus próprios salários através da criação de atalhos para engordar os seus ganhos
Em resposta à Coluna Esplanada, assinada pelo jornalista Leandro Mazzini, sobre o informe publicado nesta quarta-feira (27), em veículos da mídia impressa e digital, entre eles o site o Dia: “A petroleira (Petrobrás) ganhou tanto dinheiro que acaba de pagar, em julho, numa tacada só, R$ 1 bilhão de prêmios para os servidores”, cabe um esclarecimento.
Nos últimos anos, a Petrobrás tem apresentado resultados que se confrontam nitidamente com o discurso de que estava quebrada. E ótimos resultados, especialmente ao seu acionista majoritário, entre impostos, contribuições, royalties e participações, a empresa, em 2013, início da decantada crise, pagou R$ 110 bi. Já em 2018 esse valor chegou a mais de R$ 182 bi, apesar dos acordos do tipo Class Action nos EUA, com o pagamento de indenizações vultosas, que culminaram com a criação do conhecido fundo da Lava Jato de R$ 2,5 bi; da antecipação do pagamento de dívidas ainda não vencidas; uso de metodologias de depreciação de seus balanços contábeis, como impairments.
Pelo visto, o prezado colunista desconhece a atual política de Remuneração Variável (PRVE/PPP) que a direção da empresa implementou sem consultar as representações sindicais, e em detrimento da PLR dos trabalhadores.
Neste modelo, em que muitos nada ganham, outros poucos recebem bônus gigantescos, concentrando a maioria das “premiações” nos cargos de alto escalão. O atual presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, poderá vir, por exemplo, a receber um prêmio equivalente a mais de 1.000 vezes sobre o salário de um trabalhador iniciante na empresa!
Senão vejamos: enquanto um trabalhador ganha de “prêmio”, por exemplo, a partir do valor, aproximado, de R$1.500,00, a gerência e a direção, poderão ganhar 300 mil, 400 mil, UM MILHÃO e MEIO. Isto é, até mais de 1.000 vezes o que o trabalhador de menor remuneração receberia do PPP na empresa, a partir da aplicação do fator mínimo de 0,4 vezes. Um verdadeiro disparate de desigualdade!
Dinheiro das privatizações para premiar o alto escalão
Em abril último, o gerente executivo de gestão de pessoas da Petrobrás, Cláudio Costa, atrelou o aumento da remuneração dos funcionários da empresa à privatização. Segundo ele, “os funcionários e executivos só vão chegar ao topo da remuneração com o desinvestimento (apelido para privatização), porque as metas financeiras incluem a desalavancagem (redução do compromisso do caixa com o pagamento da dívida), que depende da venda de ativos” – confessou.
Pior, o foco neste tipo de incentivos de curto prazo (ICP), de fato, contribuem para a destruição da Petrobrás, também no curto prazo, especialmente, quando se trata do plano de remuneração da carreira gerencial e da alta direção que, propõe o modelo que lhes interessa e se “autopremiam” por maximizar os lucros no curto prazo, independentemente de destruírem valor a médio e longo prazos. Vide os planos vigentes de venda de ativos (Refinarias, Cessão Onerosa, Logística etc.) e de redução de efetivos, e até de investimentos ou as políticas de subsídios aos combustíveis e/ou de vinculação aos preços internacionais; etc.
Não foram “as práticas de mercado” que colocaram a Petrobrás como líder no país e uma das maiores empresas de energia do mundo. Pelo contrário, foi o desenvolvimento de suas próprias tecnologias, procedimentos e processos que a fez crescer, isso com o protagonismo da sua força de trabalho, não do alto escalão.
Por tudo isto, e pelo histórico de presidentes e diretorias diretamente envolvidas em corrupção contra a Petrobrás, ainda, por, no momento, o atual presidente nomeado ser, explicitamente, contra a empresa, tendo como sonho a sua privatização, é absolutamente temerário se instituir um plano de remuneração da direção e da alta gerência com qualquer incentivo de curto prazo.
Empregados da Petrobrás trabalham em regime de CLT
Outro ponto no qual indicamos uma incorreção é sobre a afirmativa em dizer que os trabalhadores do sistema Petrobrás são “servidores”, o que não corresponde à verdade. Os empregados da Petrobrás são selecionados por concurso público, mas seus contratos de trabalho estão submetidos à CLT, o que difere do servidor público que detém suas próprias garantias.
É importante dizer que estes empregados do alto escalão da empresa, que ocupam cargos de gerência executiva, entre outros, na hierarquia da companhia, são escolhas políticas determinadas pelo governo federal a partir de acordos político-partidários. Como exemplo disso, podemos citar o próprio presidente Roberto Castello Branco, escolhido e sabidamente apadrinhado politicamente pelo ministro da Economia Paulo Guedes; e de Cláudio Costa, atual gerente executivo de GP (Gestão de Pessoas) da empresa, com uma indicação também política do atual governador de São Paulo, João Dória (PSDB).
Por fim, cabe dizer, que infelizmente o informe da Coluna Esplanada fortalece o senso comum de que o funcionário da Petrobrás ganha o que não fez ou faz por merecer, em um momento que a direção da Petrobrás propõe, na negociação de ACT, reduzir salários e direitos da maioria dos petroleiros, contraditoriamente, enquanto lucros e resultados são crescentes – apesar dessa atual direção e das anteriores – e enquanto dobra os ganhos dos acionistas e dá prêmios à alta gerência (múltiplas remunerações).
Tristemente, o gerente de RH de Dória e Bolsonaro trabalha para tirar direitos do bolso dos trabalhadores e aprofundar mais ainda a crise na economia do país, especialmente de todo o Estado do Rio de Janeiro.
No mais, nos colocamos para outros esclarecimentos necessários que ajudem a não estigmatizar ainda mais a imagem dos empregados da Petrobrás.
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quarta-feira, 15 de maio de 2019
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DCXCIII
Haikai proletário DCXCIII
Paulo Ayres
A reivindicação na cartolina
Estudante escolhe algo
Operário determina
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sábado, 20 de abril de 2019
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DCLXXII
Haikai proletário DCLXXII
Paulo Ayres
Eles vão fundo na questão
O petroleiro na labuta
Picareta na invasão
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domingo, 31 de março de 2019
Poemas sobre a classe operária: Etapas do Etanol
Etapas do etanol
Paulo Ayres
Alcoólicos anônimos
Quem abastece ninguém conhece.
A frentista está na frente
Todos os dentes num belo sorriso.
O parasita está lá na casa de praia
Suas cobaias estão com capatazes.
Combustível do combustível
Quem corta a cana é carta anônima.
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terça-feira, 29 de maio de 2018
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DXVIII
Haikai proletário DXVIII
Paulo Ayres
O fim da história é um mito
Petroleiro pode ir fundo
Crepúsculo bonito
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domingo, 27 de maio de 2018
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário DXVI
Haikai proletário DXVI
Paulo Ayres
Aves sobrevoam o pré-sal
O petroleiro observa
Protetor central
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domingo, 17 de setembro de 2017
Poemas sobre a classe operária: Cotejo
Cotejo
Paulo Ayres
Aquelas mãos
que transformam semente de mostarda em condimento
fazem mais mágica que o massagista romeno da seleção soviética.
Aquelas mãos
que transformam madeira em cadeiras e palitos de dente
estão mais adiantadas que a digitadora ligeira que conversa no emprego.
Aquelas mãos
que transformam o Mercadorama em Muffato
e o fato dado em fato posto
e abastecem aquele posto
antes que esse abasteça o Voyage
numa viagem reversível até o ABC
no beabá da ontologia social.
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terça-feira, 1 de agosto de 2017
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CCLXXXIV
Haikai proletário CCLXXXIV
Paulo Ayres
A classe que produz toda riqueza
Pode limpar sua consciência
Faz produto de limpeza
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terça-feira, 9 de maio de 2017
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CCXXXII
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Poemas sobre a classe operária: Doulos da Polis Moderna
Paulo Ayres
Somos nós que fazemos os rocamboles da panificadora Alfa.
Somos nós que fabricamos as motocicletas off-road Beta.
Somos nós que fazemos as camisetas do Vasco da Gama.
Somos nós que produzimos os aviões e uniformes da Delta.
Somos nós que construímos cada andar do Hotel Épsilon.
Somos nós que encapamos a rodagem dos pneus Zeta.
Somos nós que filtramos sua água potável através da ETA.
Somos nós que fazemos enxergar as câmeras Ricoh Theta.
Somos nós que enchemos os tambores de silicone Iota.
Somos nós que fabricamos o espírito esportivo da Kappa.
Somos nós que produzimos os sinais da sonda lambda.
Somos nós que construímos esta ponte larga do rio Mu.
Somos nós que fazemos a máquina que capta o méson phi.
Somos nós que produzimos aquele barco de Life of Pi.
Somos nós que fazemos o inseticida para o Agrotis ípsilon.
Somos nós que criamos estes pingentes de cruz tau.
Somos nós que geramos as corvetas da Classe Sigma.
Somos nós que colocamos para rodar o Chevrolet Omega.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Poemas sobre a classe operária: Combustível Social
Combustível social
Paulo Ayres
Gracias a los ácidos graxos
Gracias ao intercâmbio com a natureza
A alavanca do câmbio desliza igual banha de porco
A avalanche de óleo desce a ladeira
Não é combustível natural
A gente só se move socialmente
O verdejante copo de detox
O baseado da funkeira deu onda
O chá da tia indígena alivia a cólica menstrual
O gás natural só serve mediado
Não é combustível natural
A gente só se move socialmente
Algas, cana, cânhamo e girassol
No beisebol, não são as bases que se movem
Na produção de biodiesel,
são os operários que nos abastecem
O work gera mamonas
Mas mamonas não workam
Playear não é workar, my dear
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sábado, 10 de dezembro de 2016
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CXXXIX
Haikai Proletário CXXXIX
Paulo Ayres
Unhas crescem com genes
Esmalte é mais-trabalho
Cria essa cor solene
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CXXXI
Haikai proletário CXXXI
Paulo Ayres
Antitranspirante não é um dom
É trabalho operário nas axilas
Desodorante roll-on
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segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário CXXIII
Haikai proletário CXXIII
Paulo Ayres
O poliestireno expandido
Reduzindo o proletário
Ao peso descabido
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sábado, 3 de setembro de 2016
Poemas sobre a classe operária: Química II
Química II
Paulo Ayres
Chuva forte da nuvem eletrônica
Essa crônica de uma sorte viciada
Estamos desiguais na ligação iônica
A mais-valia grossa é destilada
Trabalhadores arrumam a calçada
Na rua ao lado, a valência no semáforo
Herdeiros púberes com a cara pintada
Dependentes dos pais, e estes dos operários
Novo horizonte, velhas famílias verticais
Sorriso feromônico da Nathalia
Se espalha sem hidrogênio
Periodicamente, vejo produtos químicos
E uma isomeria nos meios de produção
Maringá tem tanta beleza quanto cínicos
Os operários sem uma química reação
Calouros vem de longe para o núcleo
Dipolo nas universidades burguesas
Temos educação sexual e empresarial
O MUP ainda não tem aderência coesa
Novo horizonte, velhas famílias verticais
Sorriso feromônico da Nathalia
Se espalha sem hidrogênio
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[0] "Química I" é uma canção de Renato Russo.
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sábado, 30 de abril de 2016
Poemas sobre a classe operária: Haikai Proletário XXVII
Haikai proletário XXVII
Paulo Ayres
A primeira demão de tinta
É do operário que a faz
Ele também pinta
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