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sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Poemas sobre a classe operária: Ventilador Quebrado

Ventilador Quebrado
Paulo Ayres

Um calor do cão num lugar fechado
não tem ventilador que dê jeito
o meu respeito por mim mesmo escapa através do suor

De melancólico para desesperado
quando destrói um valor de uso
num abuso de ego ferido idealizando algo melhor

O objeto não gira mais
nem o do meu quarto
nem o da minha máquina
é um complô estendido para a fábrica

Enquanto jogo a torneira quente na água
vem um pouquinho de vento da máquina adiante
numa solidariedade involuntária
= = =

sábado, 7 de maio de 2022

Poemas sobre a classe operária: Inferno 21-67


 
Inferno 21-67
Paulo Ayres

O movimento que se repete
Vinte e um meia sete
Quatro conexões torcem duas mãos
Pele rebarbada por estranhos estiletes

O pensamento que não reflete
Vinte e um meia sete
Ciclo infernal de peças produzidas
Pernas doloridas sustentam a solidão

Desespero repetitivo e ritmado não se nota
Conexões quentes em água parada
= = =

quinta-feira, 20 de junho de 2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Poemas sobre a classe operária: Reboco


Reboco
Paulo Ayres

Superexploração nada superficial
Ela penetra a carne e rasga os céus
Enquanto a gente estranha o stress
Dificilmente, edifícios

Que vida é essa de erguer paredes?
Que dívida é essa de nos deixar parados?

À reboque o reboco
Argumentos de argamassa
= = =

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Poemas sobre a classe operária: Castelos de Areia

Castelos de areia
Paulo Ayres

Houve história e haverá
Nada do que foi será tudo o que é sólido

Todavia, o prédio, tão alto e tão robusto
Não sei se é justo que ele seja paisagem natural

Não são montanhas são edifícios
Dentro os nossos vícios está em ignorar
Toda essa gente que ergue selvas de pedras
Tijolo com tijolo, salário por salário
= = =