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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Canções sobre a classe operária: Never Marry A Railroad Man

Never Marry A Railroad Man
Robbie van Leeuwen

Have you been broken hearted once or twice?
If it's yes, how did you feel at his first lies?
If it's no, you need this good advice:
Never marry a railroad man
He loves you every now and then
His heart is at his mule train, no-no-no
Don't fall in love with a railroad man
If you do, forget him if you can
Go better always 'round him, aaaah

Have you ever been restless in your bed?
And so lonely that your eyes became wet?
Let me tell you that one thing...
Mmm-mmm-mm-mm-mm-mm-mm
Mmm-mmm-mm-mm-mm-mm-mm
Mmm-mmm-mmm-mmm
No-no-no

Never marry a railroad man
He loves you every now and then
His heart is at his mule train, no-no-no
Don't fall in love with a railroad man
If you do, forget him if you can
Go better always 'round him, no-no-no
No-no-no, no-no-no, no-no-no

= = =
Third Album (NED, 1971) - Shocking Blue.
= = =

sábado, 19 de junho de 2021

Canções sobre a classe operária: O Patrão é Vagabundo

O patrão é vagabundo
Camarada Janderson

Passageiros e passageiras
logo no início eu vou esclarecer
eu não vim aqui pedir esmola
eu sou de um call-center lá da Zona Sul

Eu só vim passar uma mensagem
que dificilmente se vê na tevê
sugiro que tire o fone do ouvido
preste atenção aqui nesse papo

A maioria que está aqui está indo pra luta
há quanto tempo quer juntar dinheiro e comprar uma casa?
trabalha, trabalha, só sobrevive e nunca desfruta
pra foder com tudo, até pro rolê a passagem tá cara

Mas tudo isso ainda pode ser diferente
e a solução é a luta política do povo pobre
esquece esse papo de empreendedor
volte a construir um sindicato
os coaches querem enganar vocês
com uma expectativa ilusória
porque o tipo de gente que explora vocês
são pessoas como João Dória
que tá na nave, suave na nave
e você ralando pra comprar um Corsa

A verdade é que uma coisa depende da outra
sua pobreza determina a riqueza dos poderosos
é preciso que alguém trabalhe pra sustentar isso
e quem não trabalha eles chamam de preguiçosos

Porque eu tava no trem escrevendo essa letra
e de repente pegaram o moleque
não foi porque desviou um dinheiro
ou muito menos fez 157

Foi porque estava com pururuca
umas notas de 2 e o jeitão de maloca
eles trabalham batendo nos outros
e quem apanha nunca esquece

Não temos nada a perder
somos o futuro do mundo
e, assim como nasceu, o capitalismo vai morrer
e a verdade é que o patrão que é vagabundo
= = =

terça-feira, 1 de maio de 2018

Canções sobre a classe operária: Chain Gang




Chain Gang
Sam Cooke/Charles Cook Jr.

I hear somethin' sayin'
That's the sound of the men working on the chain ga-a-ang
That's the sound of the men working on the chain gang

All day long they're singin'
(Hooh aah) (hooh aah)
(Hooh aah) (hooh aah)

That's the sound of the men working on the chain ga-a-ang
That's the sound of the men working on the chain gang

All day long they work so hard
Till the sun is goin' down
Working on the highways and byways
And wearing, wearing a frown
You hear them moanin' their lives away
Then you hear somebody sa-ay

That's the sound of the men working on the chain ga-a-ang
That's the sound of the men working on the chain gang

Can't ya hear them singin'
Mm, I'm goin' home one of these days
I'm goin' home see my woman
Whom I love so dear
But meanwhile I got to work right he-ere

That's the sound of the men working on the chain ga-a-ang
That's the sound of the men working on the chain gang

All day long they're singin', mm
My, my, my, my, my, my, my, my, my work is so hard
Give me water, I'm thirsty

My, my work is so hard
Oh my, my, my, my, my, my work is so hard

= = =
Swing Low (1960), de Sam Cooke. 
= = =

quinta-feira, 29 de março de 2018

Canções sobre a classe operária: Build


Build
Paul Heaton/Stan Cullimore

Clambering men in big bad boots
Dug up my den, dug up my roots
Treated us like plasticine town
They built us up and knocked us down

From Meccano to Legoland
Here they come with a brick in their hand
Men with heads filled up with sand
It's built

It's built a house where we can stay
Add a new bit everyday
It's built a road for us to cross
Build us lots and lots and lots and lots and lots

Whistling men in yellow vans
They came and drew us diagrams
Showed us how it all worked it out
And wrote it down in case of doubt

Slow, slow, quick, quick, quick
It's wall to wall and brick to brick
They work so fast it makes you sick
It's built

It's built a house where we can stay
Add a new bit everyday
It's built a road for us to cross
Build us lots and lots and lots and lots and lots
It's built

Down with sticks and up with bricks
In with boots and up with roots
It's in with suits and new recruits
It's buil

= = =
The People Who Grinned Themselves to Death (1987) - The Housemartins.
= = =

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Canções sobre a classe operária: O Drama da Humana Manada


O drama da humana manada
El Efecto

É logo cedo quando o medo vem pra me lembrar 
Que é dia de trabalho!
Nó na garganta o galo canta e lá vou dançar
Atrás de quê? 
Salário!
Eu penso na fuga mas logo me afogo outra vez
Nesse meu calvário!
Levanta, sacode a carcaça que a dança não pode parar!
Trabalha! 
Dando corda nessa estúpida engrenagem
Trabalha! 
Que espreme e esgota a força que te põe de pé
Trabalha! 
Aniquilando o que é humano, o que é coragem
O que há de errado? O que será? O que que é?
Trabalha! 
Toda fachada esconde a mesma humilhação
Trabalha! 
Terra arrasada onde se arrasta a multidão
Vem que tá na hora, não enrola, não demora
Para não ficar de fora da fila do sacrifício
O Trem vai rumo ao precipício
“Atenção, portas se fechando”
Estamos no vagão, somos a carga, amarga tristeza de boi
Ruminando aquilo que era pra ter sido e não foi
Reféns da mesma trama, o drama da humana manada
A vida é isso camarada?
Começa como dádiva,
mas logo vira dívida
Se sobrevive a dúvida, Algo segue te dizendo que você valia mais
Mas veja só que ironia!
Ter a pressa de chegar onde não se queria
Sempre pra lá e pra cá maldito dia a dia
O espírito no fosso, a fossa, eita vida de cão essa nossa!
Malandro é o cavalo marinho que se finge de peixe pra não ter que puxar carroça...
Não! Pera lá...
Trabalha, espera,
Porque quem trabalha prospera e quem espera sempre alcança.
Não desespera, depois da tempestade vem sempre a bonança.
Trabalha, espera e confia,
Pois a tua estrela ainda vai brilhar um dia!
Um brinde à meritocracia!
E o banquete quem serve?
O palacete quem ergue?
De quem o sangue ferve? Ferve!!!
Caraca moleque!
Segura aí que é hora de pisar no breque!
Despedaçado, parcelado vai teu coração
Que é uma ferida aberta!
Se debatendo alucinado exposto num balcão,
Entre a demanda e a oferta!
Quem dá mais? Tanto faz, guerra é paz, liberdade é escravidão
E o trabalho liberta!
Sem trauma, entrega tua alma com calma, na palma da mão do patrão
Trabalho! Dando corda nessa estúpida engrenagem
Trabalho! Que espreme e esgota a força que te põe de pé
Trabalho! Aniquilando o que é humano, o que é coragem
Há algo errado e você sabe o que que é!
Trabalho! Te corroendo por dentro essa frustração
Trabalho! O teu demônio patrimônio do patrão
Trabalho! Toda fachada esconde a mesma humilhação
Terra arrasada onde se arrasta a multidão!
Trabalho! E lá vou eu!
Trabalho! Até morrer!
Trabalho! Sente a vida escorrer pela palma da mão
Trabalho! Já que não há remédio
Trabalho! Ódio, nojo, tédio
Terra arrasada!
Caminha por entre fantasmas, com blocos de pedras nos ombros
Ossadas de escravos, escombros, escombros
São séculos, ciclos na insana espiral
E o peso nas costas permanece igual!
Eis que, diante de ti, ergue-se a monstruosa pirâmide...
Contempla, contempla errante animal
Bem-vindo ao deserto do real!
Até quando suportar?
Sustentar essa grande mentira
Pois é,
a verdade é indigesta
Quem sustenta essa festa
é o suor da tua testa.
Até quando suportar?
Sustentar essa grande mentira
Pois é,
de tudo que eu faço
Não me sobra pedaço
e ainda sigo no compasso…
Pois é,
de tudo que eu faço
Não me sobra pedaço
e ainda sigo no compasso…
Você merece...
Você merece...
Haja coragem!
O fogo, ele agoniza mas não morre
Aja! Coragem!
Se a chama se organiza o que que ocorre?
Reaja! Coragem!
O fogo, ele agoniza mas não morre não
Não morre não...
Haja coragem!

= = =
Memórias do Fogo (2018) - El Efecto.
= = =

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Canções sobre a classe operária: Nova Era Tecno


Nova era tecno
Plebe Rude

Bem-vindo, micro
não sei pra que te apresentar
ele fará tudo por você, no seu lugar!

Baixa, baixa, baixa
o nível um pouco mais.
Nova era tecno
te deixou pra trás.

Eu quero ser um técnico
Apertar botões no meu robô
Informações ao meu dispor
Porque o futuro já chegou

Vem brincar com o novo brinquedo
antes que ele acabe por querer
brincar com você!

Baixa, baixa, baixa
o nível um pouco mais.
Nova era tecno
te deixou pra trás.

Na nova era tecno
quem é culpado pela ação?
operador ou o robô?

Na primeira revolução industrial
a máquina substitui o trabalho braçal.
Na segunda revolução industrial
a máquina substitui o trabalho mental.

Se você quer trabalhar
você vai ter quer esperar.
Se você quer trabalhar
você vai ter quer esperar na sua casa!

= = =
Nunca fomos tão brasileiros (Brasil, 1987) - Plebe Rude.
= = =

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Canções sobre a classe operária: Pedreiro Waldemar

                                                       
Pedreiro Waldemar
Wilson Batista/Roberto Martins

Você conhece o pedreiro Waldemar?
Não conhece?
Mas eu vou lhe apresentar
De madrugada toma o trem da Circular
Faz tanta casa e não tem casa pra morar
Leva marmita embrulhada no jornal
Se tem almoço, nem sempre tem jantar
O Waldemar que é mestre no oficio
Constrói um edifício
E depois não pode entrar
Você conhece o pedreiro Waldemar?
Não conhece mas eu vou lhe apresentar
De madrugada toma o trem da Circular
Faz tanta casa e não tem casa pra morar
= = =

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Canções sobre a classe operária: Estivador

Estivador
Chico Amaral/Samuel Rosa

Açúcar no cais do porto
É na estiva, é na estiva
Ás vezes me sinto morto
A alma morta, a carne viva

Podiam me esquecer
É tudo igual, é todo dia

Disputas na estivagem
Viver de amor, calor e briga
E Capo é um bom selvagem
Empurra o fardo com a barriga

Podiam reconhecer
Alguém mais fraco sucumbia
Mas eu aguento a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador, sou estivador!

As putas do porto partem
Na convulsão dos dias quentes
Que voltem, que se fartem
Com meu coraçãozinho ardente

Podiam lembrar de mim
Alguém sincero lembraria
Mas eu seguro a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador, sou estivador!

Açúcar no cais do porto
É na estiva, é na estiva
Às vezes me sinto morto
A alma morta, a carne viva

Podiam me esquecer
É tudo igual, é todo dia

Disputas na estivagem
Viver de amor, calor e briga
E Capo é um bom selvagem
Empurra o fardo com a barriga

Podiam reconhecer
Alguém mais fraco sucumbia
Mas eu aguento a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador, sou estivador!

Yeah man, love is a fishing levitation!

Prata, banana, marfim, garapa, madeira, aipim
Muita coisa já passou aqui
Aço pinta no cais, bem mais metais, Minas Gerais
Tudo isso na estiva eu vi!
Parangoleta, Costa, Senegal, sei que existe o bem e o mal
Foi também por isso que eu vim
Tabaco, pato, lago vem e o porco lelê também
Já faz tempo essa mina é pra mim!

Prata, banana, marfim, garapa, madeira, aipim
Muita coisa já passou aqui
Aço pinta no cais, bem mais metais, Minas Gerais
Tudo isso na estiva eu vi!
Parangoleta, Costa, Senegal, sei que existe o bem e o mal
Foi também por isso que eu vim
Tabaco, pato, lago vem e o porco lelê também
Já faz tempo essa mina é pra mim

= = =
Calango (1994) - Skank.
= = =

domingo, 22 de junho de 2014

Canções sobre a classe operária: Mourão Voltado


Mourão voltado
Vital Farias

Para que serve o Nordeste?
Para exportar nordestino
E qual é o seu destino?
é de ser cabra da peste
De Norte, Sul, Leste, Oeste
Na indústria e construção
O diabo amassou o pão
E ficou bem amassado
Isso é que é mourão voltado
Ah isso é que é voltar mourão

Para que serve a cidade?
Pra viver no corre-corre
E depois que a gente morre
Se acaba toda a vaidade
Pra que a necessidade?
Pra se mendigar o pão
Para que serve o patrão?
Pra dar parte ao delegado
Isso é que é mourão voltado
Ah isso é que é voltar mourão

Para que serve o operário?
Pra construir edifício
Pra que tanto sacrifício
Pra ganhar pouco salário
Mas quem faz esse inventário?
Só pode ser o patrão
Quem ganha com a produção
O fato está consumado
Isso é que é mourão voltado
Ah isso é que é voltar mourão

Pra que serve a natureza?
Pra criar tudo na terra
E para que serve a guerra?
Pra se conquistar grandeza
Para que serve a riqueza?
Pra má distribuição
Onde está o erro então?
Na quantia acumulada
Isso é que é mourão voltado
Ah isso é que é voltar mourão

= = =
[0] Canção que faz parte da trilha sonora do filme O homem que virou suco (1981). Mourão são estacas de madeira fincadas ao chão que servem como cerca para os bois não fugirem. Há uma comparação entre a dura vida dos operários nordestinos com os bovinos cercados.  
= = =

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Canções sobre a classe operária: Desafio do Boia-Fria


Desafio do boia-fria
Folclore

Patrão:
Meus senhores, vou lhes apresentar
uma gente não sei de que lugar,
uma coisa que imita a raça humana:
eis aqui o trabalhador da cana.
Pois agora eles só querem falar
em direitos e leis a registrar,
imagine a confusão que dá!
Eu explico pra eles a tarde inteira
esse tal de registro na carteira
atrapalha, é burrice, é besteira.
.
Boia-Fria:
Mas o traquejo da lei e do direito
não degrada quem dele se apetece
pois enquanto se nutre de respeito
é o trabalhador que se enobrece.
Além disso quem chega-se à virtude
e da lei se aproxima e se convém
tá mostrando ao patrão solicitude
por querer o que dele advém.
Desse modo o registro na carteira
será nossa causa verdadeira.
.
Patrão:
Mas que raça de gente muquirana
me saiu esse trabalhador da cana!
ignora que a lei e a justiça
é da autoridade submissa
e quando jegue se mete a gato mestre
vai um pé pr'oeste e outro pro leste.
E assim no seu tema predileto
o diabo já passa por dileto
com esse tal de registro na carteira
que atrapalha, é burrice, é besteira.
.
Boia-Fria:
Da justiça e da lei quem se aproxima
tá louvando o que vem de lá de cima
mas o luxo, o palácio, o desperdício
é com Deus que se ajusta cada vício.
Sei que a nossa caneta é o machado
mas poetas da popularidade
com sonetos e versos caprichados
já disseram por nós lá na cidade:
Que lutar por registro na carteira
será nossa causa verdadeira.
.
Patrão:
Não me traga cantores de protesto,
eta raça de gente que eu detesto,
só de ouvir este nome de política
eu já fico agastado e com azia,
sinto dores, a febre me arrepia
tenho a tosse a maleita e a raquítica,
pelo campo é o voto, a abertura,
já não tem mais pureza a criatura
com esse tal de registro na carteira
que atrapalha, é burrice, é besteira.
.
Boia-Fria:
Pois pra mim você tá é misturando
ter pureza com ser ignorante
tá chamando a burrice de elegante
a bobeira mental advogando.
Se eu estudo é lutando na peleja
da maneira de a vida melhorar
e com isso não vou abandonar
a pureza da alma sertaneja.
Desse modo o registro na carteira
será nossa causa verdadeira

= = =
No jardim da política (1998) - Tom Zé (gravado em 1985).
= = =

domingo, 13 de abril de 2014

Canções sobre a classe operária: Linha de Montagem


Linha de montagem
Chico Buarque
 
Linha linha de montagem
A cor a coragem
Cora coração
Abecê abecedário
Ópera operário
Pé no pé no chão
Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá
Pensa pensa pensamento
Tem sustém sustento
Fé café com pão
Com pão com pão companheiro
Pára paradeiro
Mão irmão irmão
Na mão, o ferro e ferragem
O elo, a montagem do motor
E a gente dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente
Dessa engrenagente sai maior
As cabeças levantadas
Máquinas paradas
Dia de pescar
Pois quem toca o trem pra frente
Também de repente
Pode o trem parar
Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá
Gente que conhece e prensa
A brasa da fornalha
O guincho do esmeril
Gente que carrega a tralha
Ai, essa tralha imensa
Chamada Brasil
Samba samba são Bernardo
Sanca são Caetano
Santa santo André
Dia-a-dia diadema
Quando for, me chame
Pra tomar um mé
 
= = =
Show 1º de maio (1980) - vários artistas.
= = =

quinta-feira, 13 de março de 2014

Canções sobre a classe operária: Três Apitos


Três apitos
Noel Rosa

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você
= = =

segunda-feira, 3 de março de 2014

Canções sobre a classe operária: Operário (marchinha)

                                                                                      

Operário
Mirabeau/Vargas Junior

Você disse que eu,
Não sou artista,
Vou lhe provar,
Se sou artista ou não...
Acordo de madrugada,
Pego da minha marmita,
Trem da Central,
É minha condução,
Sou artista ou não?

Você disse que eu,
Não sou artista,
Vou lhe provar,
Se sou artista ou não...
Acordo de madrugada,
Pego da minha marmita,
Trem da Central,
É minha condução,
Sou artista ou não?

Eu moro no subúrbio,
É doloroso, é de amargar,
Pois quando chego em casa,
Está na hora de voltar,                                                         
Pra trabalhar,
Dou duro, pra ganhar o pão,
Trem da Central,
É minha condução,
Sou artista ou não?

= = =
= = =

Canções sobre a classe operária: O Samba do Operário


O samba do operário
Cartola/Alfredo Português/Nelson Sargento

Se o operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário

Mas como não quer reconhecer
É ele escravo sem ser
De qualquer usurário

Abafa-se a voz do oprimido
Com a dor e o gemido
Não se pode desabafar

Trabalho feito por minha mão
Só encontrei exploração
Em todo lugar
 
= = =
Cartola entre amigos (1984) - Nelson Sargento.
= = =

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Canções sobre a classe operária: A Bola do Jogo


A bola do jogo
Fred Zero Quatro

Olha, olha, olha
Olha, meu olhar mais fundo
Entra, entra, entra
Senta, bem vinda ao novo mundo

Minhas pernas são bastantes fortes
Como de todo trabalhador
Os meu braços são de aço
Como os de todo operário

Mas como já dizia um velho casca
A merda dos trabalhadores é sua alma inútil
Eu tenho uma alma que é feita de sonhos
Mas como já dizia um velho casca
A alma de um trabalhador
É como um carro velho só dá trabalho

Tira, tira, tira
Deixa, não apaga o meu fogo
Suba, suba, suba
Gira, gira linda
É a bola do jogo

A bola do jogo
Sou um trabalhador sou sim,
Eu tenho uma alma que deseja e sonha
Deseja e sonha

= = =
Samba esquema noise (Brasil, 1994) - Mundo Livre S/A.
= = =

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Canções sobre a classe operária: Boia Nossa de Cada Fria


Boia nossa de cada fria

Antes que queime
Reza ajoelhado pedindo, implorando que não seja levado
Sustenta na perna todo o expediente
Somado na dor de estar ausente
Leva o sorriso de tristeza, esperança de
 
A noite ter um pão na mesa
Sugado pelo açúcar, pelo álcool, sangue destilado
Voltou a ser escravo
Insegurança toma conta do seu dia
Perde a fé, a esperança de deixar a boia fria
 
Toca na mão, saiu do jogo
Pula do banco, caiu do rodo
Faca na mão, saiu pro jogo
Mão preta, preta de fogo
 
Antes que queime
Reza ajoelhado pedindo, pedindo que não seja levado
Sustenta na perna todo o expediente
Somado na dor de estar ausente

Leva o sorriso de tristeza, esperança de
A noite ter um pão na mesa
Sugado pelo açúcar, pelo álcool, sangue destilado
Voltou a ser escravo
Insegurança toma conta do seu dia
Perde a fé, a esperança de deixar a boia fria

Toca na mão, saiu do jogo
Pula do banco, caiu do rodo
Faca na mão, saiu pro jogo
Mão preta, preta de fogo

= = =
Canaiera (Brasil, 2011) - Canaiera.
= = =

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Canções sobre a classe operária: Construção


Construção
Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

= = =
Construção (1971) - Chico Buarque.
= = =