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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Poemas sobre a classe operária: Culinária, Carro e Musculação

 
 
Culinária, Carro e Musculação
Paulo Ayres

Para ser demitido pela Faria Lima
Basta sair do lado de cima
Em pouco tempo se desfaz
Perder o gás
Deus mercado

Para ser marido da Fernanda Lima
É preciso mais que clima
Leva tempo ser eficaz
Trocar o gás
Chuveiro queimado

Culinária, carro e musculação
Cadê a injeção de ânimo?
A injeção material é literal

Colheita de tomate
Montadora de Celta
Correr antes da esteira
Até saber ferver o leite vem depois disso.
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sábado, 15 de maio de 2021

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

50 mil autoworkers enfrentam a ganância da GM em greve histórica


por Eugene Puryear
Liberation News (PSL-USA)
 
Cerca de 50.000 trabalhadores da indústria automobilista empregados pela General Motors cruzaram os braços, paralisando 35 fábricas no processo. Os trabalhadores, representados pelo sindicato dos Trabalhadores de Automóveis Unidos, estão de olhos voltados para a General Motors, onde a eclosão da greve também será um fator para forçar as negociações com as outras três grandes montadoras: Ford e Fiat-Chrysler da América.

Os trabalhadores estão lutando em várias frentes: por um reajuste da remuneração básica, para evitar aumentos nos custos com saúde, contra o uso ampliado de trabalhadores temporários (que ganham menos e têm menos proteção no emprego), medidas para que os trabalhadores temporários se tornem de tempo integral e um acordo mais justo em relação à participação nos lucros dos trabalhadores. Os operários também estão lutando pela segurança no emprego, à sombra de quatro fechamentos de fábricas anunciados pela GM este ano. A GM se recusou a atender essas justas demandas, apesar de a empresa ter conseguido quase US $ 11 bilhões de lucros no ano passado.

GM exige um quilo de carne dos funcionários

A General Motors está alegando que os salários e benefícios que pagam aos trabalhadores são “não competitivos”. Por esse motivo, a empresa quer fazer mudanças bastante drásticas. Na área da saúde, pretende que os trabalhadores paguem 15% do custo da assistência médica, muito acima dos atuai 3% a 4%.

A GM também quer aumentar o número de trabalhadores temporários na fábrica, uma questão muito controversa. Os acordos na indústria automobilista de 2007 permitiram que as montadoras contratassem até 20% de seus trabalhadores como empregados temporários. Esses funcionários não têm acesso a fortes benefícios sindicais conquistados por anos de luta amarga, não recebem por participação nos lucros e possuem menor garantia de emprego – incluindo o pagamento de US $ 14,20 por hora, aproximadamente 60% do salário inicial para um funcionário em período integral.

O sistema salarial de dois níveis desempenhou um papel mais destacado nos últimos anos, como parte do esforço das empresas automobilísticas em reduzir os salários. O principal objetivo dessa medida foi deslocar mais fábricas para as partes do sul dos Estados Unidos e outros estados, além de procurar automatizar mais empregos.

No entanto, a pressão por mais e mais trabalhadores temporários tem sido a tendência principal e é obviamente uma tentativa de enfraquecer as proteções sindicais. Por exemplo, em junho deste ano, o Los Angeles Times informou:

“A General Motors Co. quer contratar mais trabalhadores temporários nas fábricas dos EUA e reduzir seus custos com saúde, disseram pessoas familiarizadas com o pensamento da montadora … No momento, as montadoras japonesas equipam suas fábricas com cerca de 20% de trabalhadores temporários. Em comparação, cerca de 7% da equipe da GM são temporários. Esses funcionários não têm como se tornar funcionários da GM em período integral.”

“A Ford tinha cerca de 3.400 temporários, representando 6% de sua força de trabalho por hora nos EUA. A FCA tem cerca de 47.000 funcionários horistas nos EUA e acredita-se que tenha aproximadamente o mesmo número de trabalhadores temporários que a GM ou um pouco mais.”

As montadoras têm enfatizado isso, querendo aumentar o número de trabalhadores temporários e não fazer nada para lhes dar status permanente ou melhor remuneração. Os membros do sindicato veem esse processo como um processo lento de rompimento com os sindicatos, corroendo a qualidade do trabalho nas fábricas de automóveis ao longo do tempo.

Como mencionado acima, a GM também anunciou quatro fechamentos de fábricas até agora este ano. Embora eles observem que criarão novos empregos em algumas dessas áreas, não alcançará o número de empregos que estão eliminando. Por exemplo, a nova produção de carros elétricos que eles divulgam vem com menos empregos e a maioria das promessas são vagas com menos direitos. A GM está divulgando a produção de baterias novas em Lordstown, Ohio, depois de fechar a fábrica de veículos de lá. No entanto, se esse trabalho for subcontratado, novos trabalhadores poderão perder o acesso a alguns benefícios de pensão.

GM tem o dinheiro

Considerando que a General Motors obteve US $ 10,8 bilhões em lucros no ano passado, é um escárnio absoluto o fato de terem pago US $ 0 em impostos federais. Sim, isso mesmo, zero dólar. Na verdade, eles registraram um imposto negativo – US $ 4,3 bilhões em impostos devido à enorme quantidade de baixas que o código tributário permite para ajudá-los a esconder seus grandes lucros. De fato, de 2016 a 2018, a GM obteve US $ 37,2 bilhões em lucros.

A GM também gastou US $ 10 bilhões desde 2015 em recompras de ações. Este é um processo que se tornou cada vez mais popular em Wall Street nos últimos anos, no qual as empresas compram grandes quantidades de suas próprias ações de investidores para enriquecê-los e fazer artificialmente sua empresa parecer mais forte.

Como a CBS observou sobre as recompras de ações em 2018, esses US $ 10 bilhões foram mais que o dobro da economia proposta que a GM celebrou no outono de 2018, quando anunciou a intenção de eliminar 14.000 empregos.

Dignidade e respeito por todos os trabalhadores da linha automotiva

A indústria automobilística usou os vários contratos Big 3 anteriores para influenciar os trabalhadores de fábricas não sindicalizadas em todo o país, particularmente no sul dos EUA, para não se sindicalizar, alegando de forma dissimulada que o UAW é incapaz de melhorar drasticamente o padrão de vida dos trabalhadores. Mas, por outro lado, se os trabalhadores da GM puderem forçar a empresa a diminuir a diferença entre trabalhadores temporários e os de período integral, manter seus direitos à saúde e evitar as demissões, a greve poderá inspirar que haja mais sindicalização no setor e mais greves em defesa destes pontos.

A greve também está ocorrendo em meio a um cenário de condenação de vários funcionários de alto escalão do UAW, que estão sendo investigados por práticas corruptas, tais como receber pagamentos de empresas automobilísticas. Durante as negociações contratuais antes da greve, as publicações comerciais da indústria observaram o medo da GM, Ford e FCA de que isso possa levar os trabalhadores a se tornarem mais militantes e tornarem a greve mais forte e mais longa para tentar impedir qualquer ato de corrupção.

Grupos da indústria também temiam o impacto das mídias sociais, dado o exemplo da recente onda de greves de professores, como um meio pelo qual os trabalhadores poderiam se coordenar ainda mais de perto e criar mais força coletiva para continuar. Em sinal de solidariedade trabalhista, os Teamsters anunciaram que não transportarão veículos da General Motors em seus caminhões durante a greve.

Uma das empresas mais ricas dos Estados Unidos, em um setor com muitos lucros, ainda está fazendo todo o possível para reduzir o padrão de vida de seus trabalhadores, à medida que seus executivos e principais acionistas vivem em alta. Se os trabalhadores vencerem na GM, será um golpe contra o poder das corporações de explorar e oprimir da maneira que acharem por bem. Todos os integrantes da classe trabalhadora devem estar lado a lado com os trabalhadores da indústria automobilística, enquanto lutam por uma parcela justa da riqueza que criaram e dão um golpe na ganância corporativa que devasta as comunidades em todo o país.

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[0] Tradução: PCB.
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quinta-feira, 20 de junho de 2019

Lucio Bellentani: herói da classe operária brasileira



por Edmilson Costa

A classe operária perdeu, neste dia 19 de junho, um dos seus maiores heróis: o camarada Lucio Bellentani. Valente dirigente operário e ferramenteiro, Bellentani foi o principal responsável pela organização dos operários do ABC paulista no início da década de 70 do século passado, o período mais selvagem da ditadura no Brasil. A partir de uma estratégia do Comitê Central do PCB, dentro do plano de organizar o Partido nas grandes empresas metalúrgicas da região, o camarada Bellentani desenvolveu com êxito e de maneira clandestina, um paciente e abnegado trabalho de organização no interior das fábricas da região, a começar pela empresa em que trabalhava, a Wolksvagem. Nos primeiros anos da década de 70 o camarada Bellentani, como secretário político dos comitês de empresa da região, conseguiu organizar células do Partido nas principais empresas metalúrgicas, chegando a distribuir mensalmente cerca de 300 jornais Voz Operária, órgão clandestino do PCB.

“Os integrantes de nossas células levavam os jornais no fundo falso das marmitas, que era uma das poucas coisas que os seguranças da empresa não podiam revistar”, disse num depoimento feito recentemente para uma equipe do PCB que está documentando a memória do movimento operário a partir de entrevistas com os velhos militantes do Partido. No mesmo depoimento, Bellentani conta como se deu o processo de organização das células operárias na região: “Li um livro do Giap, comandante do exército vietnamita, onde ele descrevia a organização de células da resistência vietnamita ao exército dos Estados Unidos. Eram células clandestinas, compartimentadas por áreas de atuação. Então pensei: se eles lá, enfrentando o exército mais poderoso do mundo, conseguem organizar a resistência, aqui também nós poderemos adaptar esse modelo e organizar os trabalhadores no interior das fábricas. Assim, as células eram organizadas por seções dentro da fábrica, compartimentadas, onde os militantes de uma seção não conheciam os da outra e apenas um deles fazia o contato com o Comitê de Empresa. Dessa forma conseguimos organizar células tanto na Volks, onde tínhamos a maioria dos militantes, mas em todas as grandes empresas da região”.

Esse trabalho sofreu um duro golpe em 1972, quando Bellentani foi preso no próprio interior da empresa, após a prisão de um dos operários que não aguentou as torturas: “Estava trabalhando quando os policiais entraram com metralhadora e me prenderam. Fui algemado e levado para o próprio Departamento Pessoal da empresa, onde começaram as torturas, realizadas por agentes policiais do DOPS (Departamento de Ordem e Política Social da ditadura), o que revela a estreita relação entre a Volks e a polícia”. Ao chegar no DOPS as torturas bárbaras continuaram, mas Bellentani se manteve firme e não entregou os segredos do Partido. Ficou um ano e meio na cadeia. Mesmo com as prisões, a repressão não logrou desarticular completamente o trabalho nas fábricas, o que só conseguiram fazer em 1974/75, quando ocorreu a grande ofensiva da ditadura, organizada pelos setores da inteligência militar, para destruir o Partido, por meio da qual foi assassinado na tortura um terço do Comitê Central e presos milhares de militantes. A ditadura sabia quem eram seus inimigos. Possivelmente, a história do movimento operário brasileiro teria sido outra se esses episódios não tivessem acontecido.

Depois de solto, Bellentani trabalhou em várias empresas metalúrgicas, mas quando descobriam sua militância política o demitiam. Na segunda metade da década de 70 Bellentani foi trabalhar na Ford, em São Paulo, onde organizou uma das mais ativas Comissões de Fábrica do Estado, justamente no período de ascenso da luta de massas no Brasil. Organizou os trabalhadores, realizou várias greves, sempre cumprindo o papel de organizador de sua classe. Recentemente, a Volks reconheceu a perseguição e a colaboração com a ditadura e hoje os trabalhadores atingidos pela repressão reivindicam a construção de um memorial em homenagem àqueles que lutaram nos mais difíceis momentos da repressão no Brasil.

Há cerca de dois meses, Bellentani esteve num seminário realizado pela Unidade Classista sobre o trabalho nas fábricas, onde estimulou a juventude trabalhadora a realizar o trabalho de base como única forma de organizar os trabalhadores no interior das empresa. Com dor e tristeza nos despedimos do camarada Lucio Bellentani, mas nos comprometemos a seguir o seu exemplo. Camarada Lucio Bellentani, presente! Agora e sempre!


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domingo, 15 de julho de 2018

sábado, 23 de junho de 2018

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

domingo, 17 de setembro de 2017

Poemas sobre a classe operária: Cotejo


Cotejo
Paulo Ayres

Aquelas mãos
que transformam semente de mostarda em condimento
fazem mais mágica que o massagista romeno da seleção soviética.

Aquelas mãos
que transformam madeira em cadeiras e palitos de dente
estão mais adiantadas que a digitadora ligeira que conversa no emprego.

Aquelas mãos
que transformam o Mercadorama em Muffato
e o fato dado em fato posto
e abastecem aquele posto
antes que esse abasteça o Voyage
numa viagem reversível até o ABC
no beabá da ontologia social.
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sábado, 9 de setembro de 2017

Poemas sobre a classe operária: Pauperização Norueguesa


Pauperização norueguesa
Paulo Ayres

Vamos brincar de pique-esconde
por entre os muros do condomínio.

Com o domínio do suor alheio
cheio de si, cheio de outros
o dono da bola sempre diz que é democrata.

Vamos fingir que a operária dinamarquesa
é uma doce princesa.

A escandinava Scania escamoteia
colarinho branco vai só na veia
como há gente brincando de enganar a si mesmo.

Vamos fingir que o operário de Estocolmo
não é extorquido.

Pauperização norueguesa
pauperização relativa
produtor traz a sobremesa
E o social-liberal saliva, saliva, saliva...
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domingo, 23 de abril de 2017

Poemas sobre a classe operária: Fordlândia


Fordlândia
Paulo Ayres

Lá no Bar do Canhão,
o clássico do sertanejo pop no aparelho de som
o country pop num novo single ditando o tom
o mesmo arranjo industrial

Lá na cidade fantasma,
a linda e desamparada jovem viúva do Oeste
a cafetina sem donzelice de Santana do Agreste
não são muito diferentes.

Lá na beira do Rio Tapajós,
os limpadores de para-brisa não dão em seringueiras
o calor amazônico enferrujou as exploratórias esteiras
bater em retirada.

Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não falha.

Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não faliu
apenas mudou de lugar.

O que sempre quebra é o teto proletário.
= = =

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Poemas sobre a classe operária: Doulos da Polis Moderna


Doulos da polis moderna
Paulo Ayres

Somos nós que fazemos os rocamboles da panificadora Alfa.
Somos nós que fabricamos as motocicletas off-road Beta.
Somos nós que fazemos as camisetas do Vasco da Gama.
Somos nós que produzimos os aviões e uniformes da Delta.
Somos nós que construímos cada andar do Hotel Épsilon.
Somos nós que encapamos a rodagem dos pneus Zeta.
Somos nós que filtramos sua água potável através da ETA.
Somos nós que fazemos enxergar as câmeras Ricoh Theta.
Somos nós que enchemos os tambores de silicone Iota.
Somos nós que fabricamos o espírito esportivo da Kappa.
Somos nós que produzimos os sinais da sonda lambda.
Somos nós que construímos esta ponte larga do rio Mu.
Somos nós que fazemos a máquina que capta o méson phi.
Somos nós que produzimos aquele barco de Life of Pi.
Somos nós que fazemos o inseticida para o Agrotis ípsilon.
Somos nós que criamos estes pingentes de cruz tau.
Somos nós que geramos as corvetas da Classe Sigma.
Somos nós que colocamos para rodar o Chevrolet Omega.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Poemas sobre a classe operária: Sonho de Metal


Sonho de metal
Paulo Ayres

Na selva de pedra,
o macho alfa tem pressa
a masculinidade tem preço
Tudo é tão frágil

Na negação de Pedro,
o galo canta bem alto
o território é o asfalto
Muito barulho por nada

Ele é o provedor
Ele é o protetor
Ele é o prostituidor
Ele só não é...

o produtor

Não caçou, não coletou
Só comprou, só contratou

Impotente, ele é dependente
das mulheres e dos homens
que fizeram a cueca com enchimento:
a sua motocicleta, o seu carro,
a sua lancha, o seu relojão do Faustão

Que macho alfa é esse?
Um macho alfafa
Um humano beta
O despertar da besta
Após seu sonho de metal

Enquanto isso
A realidade de metal
Não é apenas mental
por causa dos realizadores
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