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quarta-feira, 2 de julho de 2025

Poemas sobre a classe operária: Os Quitutes da Classe Artesã no Carro de Som

Os quitutes da classe artesã no carro de som
Paulo Ayres

O agro está em tudo
A política está em tudo 
O espírito santo está em tudo

Sigo a perigo 
Três semanas sem beber vinho
Uivando para Lua, subindo pelas paredes

Na zona urbana os animais são diferentes
Chamam a atenção para a degustação
Cada mordida é um vale-suor na troca

Pamonhas, churros e canudinhos
Pamonhas, churros e canudinhos
Os ingredientes vêm de tão longe
Os impacientes vêm de tão perto

= = = 

sábado, 17 de maio de 2025

Poemas sobre a classe operária: O Operariado de Santana do Agreste

O operariado de Santana do Agreste
Paulo Ayres

É vermelha a luz de Tieta
São pretas as vestes da bruxa
Assombração branca é bem viva
Mas menos ativa que a da fazenda

A cama redonda é móvel rosa
Não é o que mais ali entrosa
Movimento da costura coletiva
Mas menos ativa que a da fazenda

Do lado de dentro do cercado
Um punhado de operários rurais
No cabresto de Coronel e Filó
Uma gaiola de favores sexuais

A fábrica de Mangue Seco
Ideia que secou na fonte
Turismo com tanta pressa
Tropeça na cidade fantasma

= = =
[0] Primeiro tratamento: 15/05/2019.
= = =  

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Poemas sobre a classe operária: Anticapitalismo Romântico na Calçada das Americanas

Anticapitalismo romântico na calçada das Americanas
Paulo Ayres

Um colar com pedra mística que vibra com ascendência em Urano
Fulano me mostrou uma pulseira

Lá dentro, servidores com nota fiscal
Aqui fora, artesãos que a maioria não nota

Quem fez os produtos lá de dentro?
Quem fez as roupas, os talheres e o radinho tocando reggae aqui fora?
Será?
Será que foi a operária apressada?

Mercadorias que a deusa Mãe Galática não sabe fazer
Namastê, amiga anarquista

= = =
[0] Primeiro tratamento: 09/05/2018.
= = =

terça-feira, 6 de julho de 2021

segunda-feira, 5 de julho de 2021

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Poemas sobre a classe operária: Meia Dúzia e Seis


Meia dúzia e seis
Paulo Ayres

Eram doze filhos de José Manuel
Cinco mulheres e sete homens
Pele em várias tonalidades
As idades também variam

Eram doze filhos de José Manuel
Cinco mulheres e sete homens
Plebe em várias modalidades
A saudade é uma constante

Cinco mulheres e sete homens
Seis operários
Quatro serviçários
Dois trabalham com ele
E moram com ele
Ajudam o velho
Meia dúzia sustentam ele
Sustentam eu
E você
= = =

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Poemas sobre a classe operária: Dia dos Modernos Laboratores


Dia dos modernos laboratores
Paulo Ayres

Impressiona a imprensa empresarial,
como pode ser tão hipócrita?
O feriado dedicado ao estamento de baixo
deixa de ser do explorado
para celebrar a exploração
exalta a mortificação
e não a vida torturada.

Hoje não é dia do labor.
Não é e nunca será.
O dia do labor é todo dia
menos esse dia.

Hoje é o dia dos laboratores
aqueles que vivem na fração de baixo
da sociedade burguesa.
A tristeza deste estamento é o conteúdo
deste feriado.

O primeiro de maio é um raio.
Os laboratores olham para o céu.
operários, serviçários, autônomos e camponeses
nas vezes em que olham para a mesma direção
enxergam além da tormenta.

Não, hoje não é dia do execrável labor
de jeito nenhum.
É dia dos modernos laboratores
que inclui até vassalos e oratores
numa amálgama abstrata.
= = =

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Poemas sobre a classe operária: A abelha, o arquiteto e o Baumeister


A abelha, o arquiteto e o Baumeister
Paulo Ayres

A abelha e o Baumeister realizam o intercâmbio material
O Baumeister e o arquiteto são parte do ser social
O arquiteto e a abelha não realizam atividade fundante
O que é relevante: só o Baumeister trabalha

Work, work, work
Work, work, work
Work, work, work
Eis o som desta construção.
= = =

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Poemas sobre a classe operária: Máquina de Churros

Máquina de churros
Paulo Ayres

Saindo mais um churro
Entrando numa fria
Servindo o professor
Uma semana demoraria

Tempo é dinheiro
Dinheiro é poder alienado
Com granulado é mais caro
Custa mais grana

Chuva de churros do Chaves
Por toda área brasileira
E não há Beethoven
Nessa dança da chuva

Chuva de churros del Chavo
Não é feita pelo menino do oito
Nem pela dondoca do catorze
E muito menos no setenta e dois

Não, não seja burro
Para fazer a máquina de churros
Tinha que ser o operário mesmo
Tinha que ser o operário
= = =

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Poemas sobre a classe operária: O Trabalho Que Não é Trabalho


O trabalho que não é trabalho
Paulo Ayres

Generais, repórteres e juízes
Atrizes, sacerdotes e empresários
Alfandegários e engenheiros
Um cheiro de suor do Boticário

Se tudo é trabalho,
Nada é trabalho
É fácil pegar um atalho
Quando há gente construindo estradas
É fácil pegar
Quando alguém faz algo tangível

Não é muito intelectual
O trabalho intelectual
E quando é bem intelectual,
Aí se percebe que nunca é trabalho
Aí há o silêncio dos intelectuais

Mas nunca há silêncio dos operários
Ou dos camponeses, artesãos e extrativistas
Umas pistas sempre deixam na rodovia
Trabalho é uma sinfonia com a natureza
= = =

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Poemas sobre a classe operária: Servente de Pedreiro IV


Servente de pedreiro IV
Paulo Ayres

Nas olimpíadas da vida, eu não fui selecionado
Na Vila Vitória, asfaltarão a pista do passado
Na Vila Abobrinha, há salto com vara de porco
O que eu não sou é bom de bola, nenhum pouco
Adeus, futebol profissional

Nos vibratos da garganta, eu não alcancei a nota
Na terra do Vila Nova, não oferecem cotas
No palco da Villa Country, o mercado se entope
Eu não fui chamado para lucrar no sertanejo pop
Adeus, carreira musical

Me diz, o que vem primeiro, então
Aprendiz de construção ou construção de aprendiz?

Me diz para que eu sirvo, então
Me diz o que eu posso ser
Servente de pedreiro
Ser vento estocado
= = =

domingo, 3 de abril de 2016

Poemas sobre a classe operária: Pássaros de Metal

Pássaros de metal
Paulo Ayres

Num trabalho de artesão,
O primeiro avião foi feito por Santos Dumont
Numa linha de produção,
Frotas de aviões são feitas por proletários

Desde Ícaro, o sonho de voar é perseguido
No século XX, grupos de Ícaros trabalham em galpões
Voar se tornou uma rotina
Pássaros de metal são domesticados
Turbinas dispersam a neblina da gravidade
Cada parafuso da fuselagem é a mensagem da mão humana

Aquele avião no céu diário
Subiu até lá com a propulsão de operários
= = =

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Poemas sobre a classe operária: Trabalhando

 

Trabalhando
Paulo Ayres

Abelha não trabalha
João-de-barro não trabalha
Castor não trabalha
Chimpanzé não trabalha

Abelha, a telha não sobe por amém
João-de-barro, o jarro não vem do além
Castor, o trator não ara sem ninguém
Chimpanzé, a chaminé é feita por quem?

Prévia-ideação
A questão é essa
= = =