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domingo, 23 de abril de 2017

Poemas sobre a classe operária: Fordlândia


Fordlândia
Paulo Ayres

Lá no Bar do Canhão,
o clássico do sertanejo pop no aparelho de som
o country pop num novo single ditando o tom
o mesmo arranjo industrial

Lá na cidade fantasma,
a linda e desamparada jovem viúva do Oeste
a cafetina sem donzelice de Santana do Agreste
não são muito diferentes.

Lá na beira do Rio Tapajós,
os limpadores de para-brisa não dão em seringueiras
o calor amazônico enferrujou as exploratórias esteiras
bater em retirada.

Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não falha.

Centro-western do Pará
operários de pele vermelha, negra, branca e parda
a exploração tarda, mas não faliu
apenas mudou de lugar.

O que sempre quebra é o teto proletário.
= = =

sábado, 11 de março de 2017

Poemas sobre a classe operária: Mademoiselle Madeireira


Mademoiselle Madeireira
Paulo Ayres

Eu, calibre da produção destrutiva
Eucalipto na Galícia se cultiva
A saliva e a seiva

Tu, comprador de móveis usados
Troncor, a alma do cedro cortado
A saliva não sacia

O Monsiuer Capital a esputar
Espanta-pássaros, espanta gente, esparadrapo no caule
A Mademoiselle Madeireira
A concubina que combina as peças do vestuário

É cor de mogno
Nos cabelos dos seus trabalhadores
No plantio, na extração, na tratamento
na modelagem e no acabamento.
= = =

terça-feira, 29 de março de 2016

Poemas sobre a classe operária: Papel em Branco


Papel em branco
Paulo Ayres

Papel em branco diz muita coisa
Numa singela e direta aprendizagem
Trabalhadores e matéria-prima
Cada folha branca traz uma mensagem

Muitos cadernos esperando um desenho
Assim como escreve e rabisca o estudante
A encadernação aumentou alguns centavos
O serviçário do escritório imprime bastante

Antes de você assinar aquela folha ali
Implicitamente há as assinaturas de operários
Tanta coisa para anotar nesse mundo
E poucos notam a presença de proletários
= = =