sábado, 11 de março de 2017

Poemas sobre a classe operária: Mademoiselle Madeireira


Mademoiselle Madeireira
Paulo Ayres

Eu, calibre da produção destrutiva
Eucalipto na Galícia se cultiva
A saliva e a seiva

Tu, comprador de móveis usados
Troncor, a alma do cedro cortado
A saliva não sacia

O Monsiuer Capital a esputar
Espanta-pássaros, espanta gente, esparadrapo no caule
A Mademoiselle Madeireira
A concubina que combina as peças do vestuário

É cor de mogno
Nos cabelos dos seus trabalhadores
No plantio, na extração, na tratamento
na modelagem e no acabamento.
= = =

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