domingo, 13 de abril de 2014

Poemas sobre a classe operária: Hemorragia


Hemorragia
Carol Lopes

Enquanto as dores se espalham pelo corpo cansado
Olho minhas mãos e meus pés
Olho as mãos e os pés dos outros
E torno a olhar minhas mãos e meus pés

Mãos e pés surrados

A melhor conversa que vivi com um operário
Não continha uma palavra sequer
Ele entrou no trem e olhou meus pés descalços,
Sentou frente a mim, afrouxou a bota e se libertou
Ficamos então a olhar os nossos calos da vida

É sempre bem vinda a solidariedade dos que não têm calos.
Porém é inevitável não sangrar a cada vez que noto

mãos e pés delicados e bem tratados
= = =

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