sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Poemas sobre a classe operária: A Marcha dos Mortos


A marcha dos mortos
Paulo Ayres

Na Avenida Paulista,
Uma multidão mista
Reúne dois grupos
Os zumbis e os mortos
Endireitadores e tortos
Mesmo espaço-tempo

Corpos putrefatos
saindo no retrato
sorrindo com a PM
Corpos esquecidos
sugados e escondidos
fantasmas explorados

Em frente da Fiesp,
os zumbis se dobram
e os fantasmas cospem
Esse prédio fede muito

Uma morta-viva exclamou:
- coitada da classe média
ela sustenta esta tragédia!
Um espectro invisível respondeu:
- cala a boca, sua otária!
És sustentada pela classe operária!

Há sangue, muito sangue
em nossas mãos
quando mordo, recebo,
acendo, posto ou deito
Este meu leito é feito
com suor explorado
Parte do esquema
de um sistema genocida

Os fantasmas proletários
e os fantasmas sacrificados
assombram a Paulista,
o Congresso, as fábricas,
os condomínios, os patrões
e os acionistas
= = =

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