quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Poemas sobre a classe operária: O Parto do Coveiro


O parto do coveiro
Paulo Ayres

Meu mercantilismo e mecanicismo
mataram o medieval
Meu mercantilismo e mecanicismo
magnificou a meretriz universal.

Recuando, a pequena era glacial
Recordando, réquiem para um sonho
Sonhos monárquicos da senhora Gin
Assim, ela acorda no mundo burguês.

O servo já não me serve
No serviçário está a resposta
Observo a sua forma.

Assim, vem ao mundo o bebê operário
Não tem nem berço na maternidade
Desde a tenra idade, ouço seu choro
Desde então estou nervoso.

Participei do parto
O rebento ali perto
Fitou-me apartado
Perturbado, vi o meu coveiro
= = =

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