quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Poemas sobre a classe operária: Anemia e Anestesia
Anemia e anestesia
Paulo Ayres
Superexploração da força de trabalho
Um atalho feito de galhos quebrados
E corpos esquálidos de latinos, africanos e asiáticos
Isso aí já virou clichê
Ninguém mais se comove
E chove no molhado, chove
Isso aí já virou piada
Lá no cinismo moralista dos Simpsons
Lá no meme do SAM
Empresas transnacionais
Empregos de transfusão de sangue
Falta ferro, sobra ferrados
E sobra ferrovias, que dão a volta ao mundo
Colecionando ossos de operários
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