terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Poemas sobre a classe operária: Agulha Hipodérmica


Agulha hipodérmica
Paulo Ayres

Na máquina de costura
sem perder a compostura
um dia dura setenta e oito horas.

Na máquina de costura
sem achar a minha cura
a doença me consome por agora.

Agonia na ágora de escravos
agonia na ágora
agonia e mais-valia.

Letargia no leito de escravos
espeta o dedo na roca
e continua a fiar, fiar, fiar...
= = =

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