domingo, 24 de dezembro de 2017

Poemas sobre a classe operária: Ceia de Natal


Ceia de Natal
Paulo Ayres

A gente janta junto
É a noite de Natal
De Recife e João Pessoa
Prosa boa, escoa pela boca
Fingimos que não somos alienados
Separados por trezentos metros de propriedade privada
Rabanada, bacalhau, panetone, pavê e um punhado de uva passa
Não apareceram do nada
Não apareceram de graça
Não são presentes de Jesus Noel

Como marmanjos podem viver assim
acreditando que duendes fazem guloseimas,
Smartphones, brinquedos e decorações?

Quem fez estes talheres?
Não, a pergunta não é quem vai pôr a mesa
Quero saber é dos pores primários
Um garfo vai para o lugar do tio bolsominion
O outro para a prima lacradora
A gente janta junto
= = =

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