segunda-feira, 21 de maio de 2018
Poemas sobre a classe operária: Alface em Libras
Alface em libras
Paulo Ayres
Sei que há algo de muito errado nisso tudo
sei que tudo tem algo de muito meu
mas não é meu
Quero continuar pagando minhas contas
finjo, então, que nada é da minha conta
não vejo, não ouço, não falo
Produzo, reproduzo e me calo
não levanto minha voz
não desato os meus nós
Pneus em dólares e alface em libras
minhas mãos se movimentam
Os surdos ouvem no último volume:
folhas de alface e palmas da mão
exploração em unidade
As minhas mãos abanando
mãos de operário
salário e sal
= = =
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