sábado, 12 de janeiro de 2019
Poemas sobre a classe operária: Pelo Que Substituir A Máquina Quebrada do Estado?
Pelo que substituir a máquina quebrada do Estado?
Paulo Ayres
Na salinha do posto medindo a pressão
a ferramenta é calibrada no ritmo patrão.
Leviatã toda noite empilha papeis no horário
Leviatã toda manhã se alimenta de operários.
E quando a máquina mortífera
piscar os seus olhos verdes de semáforo
é bom a gente se lembrar:
no desaforo se desce o cacete.
E quando a montanha gigante
se cercar de ossadas de colarinhos azuis
é bom a gente não esquecer:
na pancada se põe no pico.
Nosso próprio comitê com vista breve
nosso próprio comitê derretendo a neve.
Como ter um comitê como um cometa?
Eles rasgam o céu avermelhado
e desaparecem no horizonte.
= = =
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