sexta-feira, 1 de março de 2019
Poemas sobre a classe operária: Aos Trancos e Barrancos
Aos trancos e barrancos
Paulo Ayres
Caindo pelas tabelas e jogados às traças
graças ao maldito labor de todo dia
mais-valia chutar o balde.
Não vejo a hora de a gente voar
arrebentar a boca do balão
dar a volta por cima
não vejo essa hora.
Só vejo a hora que o celular me enche o saco
se taco ele na parede não importa
a edição corta e me transporta.
No acender das luzes, estou na fábrica
injeção de plástico quente
sem injeção de ânimo
me pega no pulo
só pego no tranco.
= = =
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